Por alguns minutos resolvi pensar o que significaria "a so(m)bra do pensamento". No dia em que resolvi colocar esse subtítulo, por assim dizer, no blog, eu tinha pensado nos sentidos de sombra e de sobra.
Sobra, seria simplesmente o que resta do pensamento para ser escrito, aquilo que seria normalmente descartado. Então o blog seria o lugar do fim das minhas idéias, da borra que ficou no fundo da xícara. O blog seria o lugar do meu lixo externo, do lixo que consumo em minha cabeça, nas entranhas, no coração.
Sombra, pensei ainda na mesma linha. Seria o que não é o principal, o que fica pra trás quando o sol ou a luz batem. É o que nos segue e a gente não presta atenção; a não ser que não esteja ali. O blog era o lugar de olhar para a minha sombra como o prato primeiro a ser ressignificado. Não, a minha sombra não. A Sombra do meu pensamento.
E o pensamento me traz uma sensação de efemeridade. Isso porque a gente pensa uma porção de coisas que se vão com o tempo, dure este 5 segundos ou 10 anos. Mas o pensamento que a gente escreve e guarda, fica. Porque a memória é curta pra armazenar tanta frase, tanta idéia, tanta sabedoria que a gente acumula ao longo dos anos. E pra isso existem os livros. E pra mim, os blogs.
Mas hoje eu estava pensando diferente. Eu olhei para esta frase e achei que ficaria melhor sem o parênteses e com uma crase. À sombra do pensamento. Hoje eu achei que o melhor local para estar era embaixo do meu pensamento, como a gente se abriga do sol embaixo de uma árvore. E eu fiquei olhando a vida dalí, com a brisa fresca da tarde batendo em meus cabelos e levando-os para longe longe...
Talvez ficar à sombra do pensamento funcione como meu lugar de acalento, como se eu trocasse a gaveta da minha cômoda, onde eu estava apertada e olhando pelas frestas, por essa grande árvore que se chama "minha cabeça". Porque é uma árvore frutífera, que tem folhas suficientes para me abrigar da luz, do calor. Onde eu posso sentar e olhar sem medo.