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Sobre a Nina, a Mirna e a Surya

Hoje estive pensando sobre a minha atual tendência a dualidade. Ou sobre a minha querelância (!) e insistência em presumir que as coisas são divididas em polos. E isso pode ser reflexo de um monte de coisas, especialmente dos primeiros capítulos do Kundera. Ou, ainda, ser um pressuposto para a 3ª leitura.

E agora eu lembrei, meio que do nada*, das minhas personas. Observando atentamente dá pra perceber nelas pedacinhos muito claros do que eu sou. Ando me questionando se a a gente só consegue (ou seja, eu só consigo) falar daquilo que me diz respeito. Ouvi umas 3 vezes essa semana que eu estava melhorando a minha escuta analítica (sem Freuds perdidos na frase! rs)... E aí, ao olhar mais profundamente, percebi que eu só consegui analisar as situações que pessoas X viviam porque as histórias convergiam ou se pareciam muito com a minha própria. Será que a gente só sabe falar de si, mesmo quando olha pro outro? Ou melhor, será que eu só falo de mim quando olho pro outro? E será essa identificação necessária ou importante para a compreensão da dor... pelo co-sentimento da dor do outro?

Ou será que isso só me faz uma péssima psicóloga? Hahahaha.

Mas o post era sobre a Nina, a Mirna e a Surya. Como já constatei que são partes de mim mesma, prefiro parar por aqui.

Ou quase.

Lembrei de quando falei pra minha amiga Tomata que eu era bipolar. Eu não tinha idéia do que eu tava falando, não sabia nada do distúrbio. Mas eu achava que me encaixava muito certinho no que eu tinha como idéia de bipolaridade: alguém que ora é uma coisa, ora é outra. Era um exagero dizer que eu era bipolar, mas eu me sentia assim. Lembro ainda do olhar de seriedade que ela lançou sobre o assunto, por trás dos óculos... Ela queria que eu conversasse com sua a tia médica. Me senti acolhida (obrigada, Tominha)... No mesmo ano dei de aniversário pra ela um livro que ela queria muito, aquele da Ana Beatriz Whatever, o Mentes Inquietas. Anos mais tarde, eu que lia esse livro, buscando base para uma possível Iniciação. Interessante eu ter virado psicóloga. Interessante ela ter virado médica.
Sei lá porque lembrei disso. Dá uma nostalgia, uma saudadinha; essa é dessas histórias que saem da bolsa amarela...

Acho que não quero mais falar de partes. Eu quero o todo.




* "do nada" significa fuga-esquiva de ler Nietzsche as 10 e meia da noite, com sono.

Três Pontos

  • Vou ao médico sexta feira que vem, fazer alguns exames. Ando esquecendo tudo. Inclusive os três pontos que me propus a escrever... Liguei pra minha mãe e não lembrei que, durante a mesma conversa, já havia passado um número de telefone para ela. E essa informação não existe na minha cabeça, ou seja, eu ainda não me lembro de ter passado o número pra ela. Pra continuar o assunto, imagino como vai ser essa consulta. Oi, doutor, o que eu sinto é algo esquisito. Não sei se sou epilética, não lembro de muita coisa na minha vida. De vez em quando algumas partes do meu corpo pulam, inclusive músculos isolados. Tenho a sensação de que os meus dedos pulsam quando vou ao banheiro (tanto faz, número um ou dois). É, e sinto pulsar meu coração no pescoço, na perna, no baço. É, no baço. Ando com o ouvido apitando. [...] Tá, tudo bem, pode me encaminhar ao psiquiara. Confesso ser hipocondríaca e ter inventado tudo isso pro senhor me dar algum remédio. Lá é mais fácil de conseguir, né?
  • Tem gente que é neurótica mesmo. Percebi em mim certa fobia social (ou específica?) ultimamente, não gosto de cumprimentar pessoas que conheço na rua. Também não gosto muito de ambientes novos. Credo. Se bem que eu sou o tipo de chata que tem necessidade de falar "oi" para pessoas desconhecidas. Jesus, me interna. Principalmente velhinhas com caras simpáticas. Ah, elas quase sempre tem [sem acento], mas isso não quer dizer nada. Falando nisso, acho que vou ser uma velha insuportável e tagarela, tipo dona Regina, a dona da pensão que morei (coitada, eu já sou ranzinza), que dá "oi" pra todo mundo que vê na frente, descobre a vida das pessoas e comenta com as amigas via telefone. Acho que vou perder minha fobia até lá e fazer meus (supostos) filhos morrerem de vergonha ao chamar (aos berros) a amiga três calçadas à frente. Nossa, melhor nem casar. Melhor desencanar dos amigos também.
  • Nada me satisfez mais esses dias que a Raquel e sua bolsa amarela. Mas acho que ela merece um post inteiro, não só um ponto. E antes que um ou outro malvado faça piada, isso não tem nada a ver com sexo.

Vou voltar a trabalhar. Meu horário de almoço e
Morning Papers [Strauss é lindo. Pretendo coreografar essa música em breve] estão acabando. "Tuuuuuuuuum". Cabou.

Alguém disse...

  • "Ao tomar emprestadas as palavras, seja possível emprestar também a força delas, porque na poesia podem ser sempre encontradas razões, inspirações e coragem para continuar." Ana Lucia
  • "Esse é que é o problema todo. Não se pode achar nunca um lugar quieto e gostoso, porque não existe nenhum. A gente pode achar que existe, mas, quando se chega lá e está completamente distraído, alguém entra escondido e escreve 'Foda-se' bem na cara da gente." Salinger
  • "Eu acho que se todas as pessoas fizessem alguma coisa pelos seus próprios pedaços, de repente a gente teria uma grande revolução." Elis
  • "Há que sentar-se na beira do poço da sombra e pescar luz caída com paciência." Neruda
  • "Mesmo nossa própria dor não é tão pesada como a dor co-sentida com o outro, pelo outro, no lugar do outro, multiplicada pela imaginação, prolongada em centenas de ecos" Kundera
  • "Time is never time at all, you can never ever leave without leaving a piece of youth." Pumpkins
  • -"Porque você está vestindo esta fantasia idiota de coelho?" -"Porque você está vestindo esta fantasia idiota de humano?" Kelly