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história sem fim

Não sei porque me sinto tão frágil diante de certas situações. Como se ainda tivesse 15 anos e não 22, enfrento - ou melhor, fujo de - tudo como se um monstro fosse me atacar a qualquer segundo.

Eu penso por horas porque não escrevo quase nada sobre o ballet. Trauma mode on. Ficava pensando por horas porque não mantive certas amizades. Daí eu lembro que nunca as tive de fato e que foi melhor assim. O duro é ter que apagar uma parte da minha vida por uma fragilidade muito minha e muito intensa.

Se eu tive três ou quatro amigas dentro daquele covio, foi muito. Mas estas valeram mesmo, são pra vida.

Acho uma pena que as pessoas continuem se defendendo de suas fragilidades por meio de ataques gratuitos à quem julgam mais fracos. Ou melhores, por pura inveja. No fim, fomos todas iguais em nossa competição estúpida e velada.

A diferença está agora, nosso modo de crescer e aparecer.


*Obrigada beauties, pelos parabéns e por existirem.

Mais um fato do passado

Como a vida é uma caixinha de lembranças, resolvi relatar mais uma do passado negro que guardo na bolsa amarela.

A Fê era uma das pessoas que eu mais me importava naquele momento da minha vida. Era a mais parceira, uma versão minha extra-corporea.
Estava passando por uns maus bocados com um menino que não gostava dela. Sua auto-estima não colaborava e pensei que devia ajudá-la a superar; nada melhor do que um cara pagando pra você (eu ainda não tinha outra teoria). Parte brilhante do plano: inventar um amigo invisível que goste dela. E que seja lindo. E que toque violão e tenha olhos claros. E que diga em mídias aleatórias o quanto ela é linda.
Claro que eu não pensei que ela fosse querer conhecê-lo.
Poderia-se dizer que eu queria sacaneá-la, mas isso é mentira, estava mesmo disposta a ajudar. Mas o pior foi seguir com a história com medo de desmentir.

Esse deve ter sido um dos primeiros esqueminhas malhação da minha vida. Pior que essa, só a Tainá.

PS.: Vale lembrar que a Fê (Fer, atualmente) ainda é uma das pessoas que eu mais me importo e que, por ser parecida comigo, me perdoou depois de um ou dois dias de revolta.

Fer, imagine os enormes olhos do Litho! Ê Marcelo!

A história de Bruno

Arrumando minhas coisas achei uma pasta cheia de textos que escrevi (acho que) dos 14 aos 18 anos. Bi-zar-ro. Eu costumava chamar essa pasta de "minha vida" e as únicas que passaram o olho por todo o seu conteúdo fomos eu e a Maíra. Foi nessa época que a gente inventou de fazer um filme.

Enfim, o lance é que no fundo da pasta resistiram uns pedaços de um projeto de livro que eu estava tentando desenvolver. Escrito bem porcamente, diálogos imaturos e tal. Era a história de Bruno, um adolescente revoltado que não fazia muito mais que azucrinar a vida do irmão mais velho. O cara tinha uma amiga, a Camila, que era esquizofrênica porque o autor do livro falava umas verdades na cabeça dela (!). Era obsecado por Ana, uma vaca que só tinha virado vaca por não acreditar mais em nada após o suicídio da irmã que adorava (?!) e pegava a Sara, que era a ex do seu irmão.
Cada coisa que a gente pensa, num tá no gibi. O bizarro é que eu consigo traçar paralelos muito próximos com algumas das pessoas com quem convivi aos 15/16/17. A gente escreve mesmo sobre o que está passando, por mais que tente disfarçar ou florear. Lembro de gostar tanto desse Bruno que comecei a detestá-lo por não gostar de mim. Ele nem era tão revoltado assim, na verdade só me aborreci com ele porque nossa amizade tinha acabado e eu precisava de um bode expiatório. Ou não, né?
Eu devia mesmo era ter gritado com ele, batido, ou sei lá. Que eu fiz? Fui escrever... Adorava escrever sobre as pessoas com quem me irritava. Criava uns personagens bem bobinhos pra eles e uma persona maravilhosa que me representava; nas minhas tramas imaginárias, eu tinha idéias revolucionárias e uma fala brilhante que acabava com os outros. Bem, há controvérsias.
O caso é que eu só ficava imaginando, à la Doug Funny, essas estórias, até começar a escrever sobre o Bruno - que se chamava Danilo. Se eu um dia melhorar o texto, terminar o livro, publicá-lo e ganhar muito dinheiro, posso agradecê-lo publicamente.
Por enquanto, fica por aqui a minha discreta homenagem, que ele não verá, infelizmente:

- Obrigada Danilão! Você foi meu herói!

stela

eu e a stela nunca nos demos bem.

eu achava que ela tinha uma cara gorda, uns dentes separados e o loiro de seu cabelo era Alfa Parf 11.23; o tudo isso me incomodava profunda e profanamente. Eu não gostava mesmo da stela.
a stelinha me achava um louva-deus desajeitado, minha lingua devia caber mais na boca.
a sua era bastante funcional, de acordo com o seu tamanho.

eram troca de carícias e momentos de alergia tão instensos que nem se pode comentar.
eu era a melhor amiga dele e ela achava que era ela.
até eu descobrir que ele queria me comer.

ME comer.

ele não era meu amigo e eu era a bela querendo ser a stela.

Essa é a história de Carla...

... é verdadeira. Aconteceu com uma amiga de uma amiga minha.

Carla era uma menina feia e ele não ligava. Não que a amasse de verdade... Era o máximo que conseguira arrumar, após anos procurando pela mulher perfeita. Pensava que estes anos não valeram de nada; algumas imperfeitas se perderam pelo caminho - eram mais bonitas ou inteligentes que Carla.

Queria uma mulher para os outros. Alguém que os colegas invejassem, desejassem, adorassem - e que fosse apenas dele. Passara muito tempo sendo chamado de incoveniente, chato, insuportável e outros adjetivos menos apropriados para ficar com qualquer uma. Queria uma mulher para recordar.

Certa vez encontrou moça interessante, inteligente, brilhante. Era uma excelente parceira para todas as horas, tornou-se sua melhor amiga; paciente, ouvia-lha com uma atenção que ninguém lhe dispunha... Apaixonou-se por ela, e ela não por ele. A coisa toda é que ele era um cara bacana, mas não era seu irmão.

Fez de um tudo. Enlouqueceu, descabelou-se, futricou, contou mentiras. Nada adiantou. Ela era do irmão e os dois combinavam como bom queijo com bom vinho, numa mistura refinada de dar dó. Emburreceu-se e voltou à sua procura, enquanto o irmão levava, mais uma vez, os louros e a loira da vitória. Ela era apenas uma mulher para recordar.

E assim, fez história com a pobre Carla.

Ela acreditava que seu principe viria em um cavalo branco salvar-lhe dos homens terríveis que lhe apareceram na vida. Eram todos uns cachorros. E lindos. Já não procurava mais beleza nas flores, só queria alguém sem espinhos e isso tudo era compreensível; vivera com seu pai apenas, um homem indelicado e de hábitos grotescos.

A coisa toda é que Carla é tão sem graça que não quero discorrer sobre ela. Mas a mulher encontrou no homem a delicadeza de dama que esperava.

E nessa imperfeição e incorreção fizeram-se amantes. Completaram-se, e por menos que pareça um conto de fadas, vivem felizes até hoje. Ora, isso é verdade, aconteceu com uma amiga de uma amiga minha.

As goiabas da federal

A universidade está com o cheiro doce e típico dessa época do ano, o de goiabas. Ah, como as goiabas da federal são deliciosas. Tem de todos os tipos, para todos os gostos; seriam uma praga se não deixassem o aroma tão incrivelmente bucólico, o visual dos arbustos cheios de frutos.

Ah, as goiabas da federal, tão lindas.

Como o lobo que deseja a uva, fiquei eu ali a admirar uma destas. Com um leve rajado vermelho de sol em sua tez branca, ela acenava e pedia carinhosamente que eu a pegasse. Fui esquecendo-me ali, observando-a ao arquitetar mil maneiras de alcança-la. Me livrei de preciosidades que trazia no bolso, peças de meu passado recente, meus anéis, meu brio; tudo para saltar mais alto. Não dera certo.

O galho balançou, ela fez menção de cair em meu colo. Prendi a respiração...

E não caiu. Sentei, esperando atentamente mudança qualquer do vento que me ajudasse a catá-la. Nada. O que vi foram muitos bigatos saindo, após o consumo de toda a sua verde suculência. Chorei enojada e fui-me embora ao perceber, finalmente, que toda sua alvidez era a imaturidade de um fruto imprórpio para o meu deleite. E não havia motivo qualquer para melancolia: a goiaba que eu desejara já não existia mais, era dos bigatos. Foi então que pensei no sentido figurado da palavra - "tola!"

É isso, cada pessoa é como um fruto!

Raio de falta de manha de escrever.

Aleatório

Acho interessante esse momento que chegou na minha vida.

É incrível como, quando não há nada de interessante no presente, a gente para e olha para trás. Como será que está fulano, ciclano, beltrano? Gay?? Mas que tristeza, é tão lindo, parecia me dar tanta bola, esse mundo está perdido. Coisas assim acontecem o tempo todo, com todo mundo, reflexo de ficar velho.

Velho, mal-amado e ranzinza. E essa sou eu.

Como se não bastasse o fora que tomei há um mês quase exato do meu novo-velho pretendente, fico fuçando os outros que deixei pra trás. E os amigos com quem não falo mais, os inimigos também. A gente nunca aprende, não é mesmo? Às vezes é valido se revisitar. E isso acontece com todo mundo, o tempo todo, meio sem querer.

Sonhar é um negócio conflitante. Dói e magoa, porque nem sempre é possível nesse mundo amargo, só na cabeça; mas é impossível viver sem. E vejo os meus sonhos se regenerando nos mais novos com quem converso. Eu gosto de conversar com você, somos parecidos. E aí eu lembro que não sou mais uma adolescente. Será que não?

Aliás, de acordo com a minha velha teoria, a vida é cíclica e se repete. Acho que mantenho alguns tipos de relações que me apetecem. Porque me apetecem eu não tenho a menor idéia; mas é assim que é, deixe estar.

Alguém disse...

  • "Ao tomar emprestadas as palavras, seja possível emprestar também a força delas, porque na poesia podem ser sempre encontradas razões, inspirações e coragem para continuar." Ana Lucia
  • "Esse é que é o problema todo. Não se pode achar nunca um lugar quieto e gostoso, porque não existe nenhum. A gente pode achar que existe, mas, quando se chega lá e está completamente distraído, alguém entra escondido e escreve 'Foda-se' bem na cara da gente." Salinger
  • "Eu acho que se todas as pessoas fizessem alguma coisa pelos seus próprios pedaços, de repente a gente teria uma grande revolução." Elis
  • "Há que sentar-se na beira do poço da sombra e pescar luz caída com paciência." Neruda
  • "Mesmo nossa própria dor não é tão pesada como a dor co-sentida com o outro, pelo outro, no lugar do outro, multiplicada pela imaginação, prolongada em centenas de ecos" Kundera
  • "Time is never time at all, you can never ever leave without leaving a piece of youth." Pumpkins
  • -"Porque você está vestindo esta fantasia idiota de coelho?" -"Porque você está vestindo esta fantasia idiota de humano?" Kelly