... é verdadeira. Aconteceu com uma amiga de uma amiga minha.
Carla era uma menina feia e ele não ligava. Não que a amasse de verdade... Era o máximo que conseguira arrumar, após anos procurando pela mulher perfeita. Pensava que estes anos não valeram de nada; algumas imperfeitas se perderam pelo caminho - eram mais bonitas ou inteligentes que Carla.
Queria uma mulher para os outros. Alguém que os colegas invejassem, desejassem, adorassem - e que fosse apenas dele. Passara muito tempo sendo chamado de incoveniente, chato, insuportável e outros adjetivos menos apropriados para ficar com qualquer uma. Queria uma mulher para recordar.
Certa vez encontrou moça interessante, inteligente, brilhante. Era uma excelente parceira para todas as horas, tornou-se sua melhor amiga; paciente, ouvia-lha com uma atenção que ninguém lhe dispunha... Apaixonou-se por ela, e ela não por ele. A coisa toda é que ele era um cara bacana, mas não era seu irmão.
Fez de um tudo. Enlouqueceu, descabelou-se, futricou, contou mentiras. Nada adiantou. Ela era do irmão e os dois combinavam como bom queijo com bom vinho, numa mistura refinada de dar dó. Emburreceu-se e voltou à sua procura, enquanto o irmão levava, mais uma vez, os louros e a loira da vitória. Ela era apenas uma mulher para recordar.
E assim, fez história com a pobre Carla.
Ela acreditava que seu principe viria em um cavalo branco salvar-lhe dos homens terríveis que lhe apareceram na vida. Eram todos uns cachorros. E lindos. Já não procurava mais beleza nas flores, só queria alguém sem espinhos e isso tudo era compreensível; vivera com seu pai apenas, um homem indelicado e de hábitos grotescos.
A coisa toda é que Carla é tão sem graça que não quero discorrer sobre ela. Mas a mulher encontrou no homem a delicadeza de dama que esperava.
E nessa imperfeição e incorreção fizeram-se amantes. Completaram-se, e por menos que pareça um conto de fadas, vivem felizes até hoje. Ora, isso é verdade, aconteceu com uma amiga de uma amiga minha.
Essa é a história de Carla...
por
mainina
quarta-feira, maio 13, 2009
Marcadores: aleatório , bolsa amarela , histórias , passado
3 comentários:
Adoro essas coisas.
Parece muito que os casais imperfeitos dão certo.
Acho que é assim que funciona. Vou continuar na busca do meu filósofo-estranho-quase-punk-sujo.
Me vieram na cabeça agora tantos casais imperfeitos, com relações imperfeitas, and so they go.
Ontem vi uma palestra de uma psicóloga que trabalha com esquizoanálise (não, num é uma mistura de esquizofrenia com psicanálise...rs), e dentro desta abordagem os profissionais levam em conta as dimensões éticas, estéticas e políticas para realizarem seus trabalhos.
*Uma curiosidade é a esquizoanálise se aproxima mais da arte do que da ciência, por levar em conta a reinvenção de si mesmo, a criatividade...*
Por acaso lembrei que este papo de perfeição tá muito ligado aos padrões culturais da nossa sociedade. Sinto isso na pele mais e mais, Mai friend: as diferenças entre o que eu sonhei, o que eu esperei e o que eu tenho de fato; não que o q eu tenha seja ruim ou inferior (mto pelo contrário: muitas vezes me surpreende!!!), só não é o que eu almejava na minha fantasia.
Lembrei da esquizoanálise porque, além de ter sido ontem a noite a mesa-redonda, falava desta estética de vida que é defendida com unhas e dentes e simplesmente não é real.
And so we go...
casais imperfeitos.
casais.
bah.
não consigo pensar mto em coisas distintas disso. ê, idéia fixa q só atrapalha a vida.
vou fazer terapia, nina. tem como fazer pelo convênio do trampo! oh, yeah, babe!
e pensando sobre o seu texto, creio que tem que rolar uma fascinação pelo parceiro, não tem? ao menos alguma coisinha... fascinante.
my live will go on and on.
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