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Escrever pode ajudar #2

Foi então que percebi a minha não-paralisia diante das coisas. Fazia, agia, ligava. Depois de tanto tempo desligada, desconectada da vida e dos amigos me senti, finalmente, correspondendo às minhas intenções, num movimento parecido com aquele que o Kelly demonstra em Donnie Darko. Eu via o que queria e seguia o meu desejo.


E isso me pareceu muito bom.

Mas dosar as coisas da vida jamais será fácil. Não sei se é realmente isso que eu quero, dosar-me e, pensando melhor, acho que é a falta de dose, a familiaridade com a sequencia de parábolas da vida, que me faz ser não só intensa como também eu mesma. O negócio é saber lidar com os picos... E sem bipolaridade aqui. Bom, talvez uma ciclotimia, rs.

A questão veio quando observei que estou me tornando ansiosa por uma coisa completamente abstrata. Porque é assim que funciona a minha ansiedade, no plano das idéias e da imaginação. De repente eu estava ouvindo uma música e imaginando como ia acontecer. Como íamos nos encontrar, onde, como seria o toque, a conversa. E cada vez que penso nessas coisas me sinto adolescente de novo, apesar de todo o meu esforço para crescer. 

Será que quando a gente fica apaixonado tem essa recaída de idade? Não que eu esteja apaixonada de novo, não é isso. Mas, na minha imaginação, eu bem que poderia estar o que também me causa ansiedade. O ideal seria resolver isso logo, sair do mundo das ideias, da minha cabeça, e na realidade, se dependesse só de mim já estaria feito. Mas é interessante e importante observar o tempo das pessoas.

Ainda bem que estou nesse período de "busca ativa" pela vida. Espero não perturbar ninguém pelo caminho. Afinal, se tem alguém que entende de stalkers sou eu, rs.


[Fold your hands child you walk like a peasant]

like a tree (ou encadeando)

Às vezes me sinto podada

Às vezes sinto que me podo
Como uma árvore encanada
Que carrega seu próprio dolo

Às vezes o mundo me rasga
Às vezes o mundo ignoro
Como se fosse uma pedra dopada
Como se fosse um simples decoro

Tanta música me assalta a alma
Tanta música eu finjo que gosto
Como se fosse o som cadeado
Que embalasse esse tanto desgosto 

Tanta inspiração que me toma
Tanta inspiração que eu devoro
Como se fosse carta marcada
Como se fosse o pau que me escoro 

Mulheres esquisitas/ biscas do nosso mundo

À titulo de resgate histórico:

Mais molequinha, anos 80 power!
http://www.youtube.com/watch?v=x0cJnVeiMrw
Na mesma década, essa que se tornou a maravilha da medicina atual:
http://www.youtube.com/watch?v=s__rX_WL100Rock, matou seu marido aos pouquinhos, junto com a droga. Bem anos 90:
http://www.youtube.com/watch?v=S2SmHALECBw

Sexy é o caralho, eu sou é feia. Anos 2000 (mas será a sensação dos 10):
http://www.youtube.com/watch?v=qrO4YZeyl0I

E a diva, a eterna, com essa cara de 10 anos:
http://www.youtube.com/watch?v=wHuXpWSNa-8&feature=related
"Se a Madonna e a Björk tivessem um filho, ele seria a Lady Gaga" - Juliana


Agora porque um ser humano perde tempo com isso, eu não sei. Aiai. Se nem a psicologia nem a dança derem certo, já sei o que vou fazer da vida.

A real do violino

No meio dessa bagunça toda, acabei esquecendo de registrar a minha VERDADEIRA primeira aula de violino.


É difícil. Acho que isso basta.

Tá ai, acho que sou um violino. Parece fácil pra quem já conhece algo qualquer de música, mas é um inferno de difícil.

Minha primeira aula de violino e o roquinho

Seguindo o mesmo procedimento feito após minhas primeiras aulas de sapateado, devo registrar aqui, de alguma forma, a sensação de fazer uma aula de violino.

Isso foi mágico. Sentir em você a vibração de um corpo que não é o seu, enquanto a música ecoa por toda a sala... É indescrítivel. O arco deslizava sobre as cordas e eu me sentia cada vez mais feliz, boca aberta num soriso bobo de criança; a mesma criança que não pode descobrir tal alegria antes. Toquei um roquinho. Um roquinho bonitinho, 4 por 4, pausas de quatro tempos, duas repetições; acompanhamento de orquestra e tudo.

Bom, a vizinha não deve ter ficado muito feliz. Ah, pelo menos nenhum vidro se quebrou.

=)

Pessoas e Instrumentos

"Mina, seus cabelo é 'da hora',
Seu corpão violão (...)"

Hoje teve início mais uma das minhas teorias filosóficas de bar (sem bar, droga). Como um raio veio a lembrança de um amigo - que eu desejara, a certa altura dos ocorridos, que fosse mais próximo - pianista, guitarrista (e mais um ou outro "ista"). Seu carater puro, personalidade forte e um bom humor depressivo sempre me fizeram admirá-lo. De repente, a idéia brotou. É isso: cada pessoa tem um instrumento equivalente.

Não, não estou falando do corpão violão da mina.

Vou usar o meu amigo, que aqui chamarei de João. As características já descritas aliadas a um quê melodioso lhe dão o charme e o requinte do piano. Por mais que goste de guitarra, tenha cabelo longo e queira gritar rock, João sempre será um piano. Denso, pesado, longo, postural. Mesmo nos allegros vivace, nos primeiros movimentos das sonatas ou na Grande Valsa de Chopin, seu bom humor não passa de uma máscara para cobrir sua essência, ou até sarcasmo com quem não lhe conhece. Mas eu sei que ele é um piano. E dos mais belos, que merecem a melhor pianista sentada à sua frente...

Tenho outros instrumentos como amigos também, mas a teoria ainda não está pronta, preciso refletir sobre.

Será que alguém consegue ser fragmentado a ponto de ser uma sinfônica? E se for, não seria este o belo de sua existência?

Belle.

"When I was a boy I was confounded by you
Now I'm still a boy I am indebted to you
Every song I ever wrote was written for you
Written for you

Now I'm feeling flat you seem mile away
I'm so tired that down on the pavement I'll lay
Till the blossom on the tree comes falling on me
Fall on me

From my window I can see the mountains in snow
From my window I will shut my eyes and let go
Promise me you'll always be around when I fall
And when I call

On the river bridge up on the wall, looking down
On the river bridge, to me a vision was shown
If I could hold on to things till I was full grown
Peace would I know

To my dog on wheels I'll tell my pleasures and woes
To my dog on wheels I'll tell my secrets and more
Then one day in spring I'll take him down to the road
Anything goes"

Alguém disse...

  • "Ao tomar emprestadas as palavras, seja possível emprestar também a força delas, porque na poesia podem ser sempre encontradas razões, inspirações e coragem para continuar." Ana Lucia
  • "Esse é que é o problema todo. Não se pode achar nunca um lugar quieto e gostoso, porque não existe nenhum. A gente pode achar que existe, mas, quando se chega lá e está completamente distraído, alguém entra escondido e escreve 'Foda-se' bem na cara da gente." Salinger
  • "Eu acho que se todas as pessoas fizessem alguma coisa pelos seus próprios pedaços, de repente a gente teria uma grande revolução." Elis
  • "Há que sentar-se na beira do poço da sombra e pescar luz caída com paciência." Neruda
  • "Mesmo nossa própria dor não é tão pesada como a dor co-sentida com o outro, pelo outro, no lugar do outro, multiplicada pela imaginação, prolongada em centenas de ecos" Kundera
  • "Time is never time at all, you can never ever leave without leaving a piece of youth." Pumpkins
  • -"Porque você está vestindo esta fantasia idiota de coelho?" -"Porque você está vestindo esta fantasia idiota de humano?" Kelly