Foi então que percebi a minha não-paralisia diante das coisas. Fazia, agia, ligava. Depois de tanto tempo desligada, desconectada da vida e dos amigos me senti, finalmente, correspondendo às minhas intenções, num movimento parecido com aquele que o Kelly demonstra em Donnie Darko. Eu via o que queria e seguia o meu desejo.
Escrever pode ajudar #2
Escrever pode ajudar
É muito triste pensar em quantas pessoas queridas a gente perde ao longo da vida por pura estupidez. Pela nossa, alheia ou ainda pela união das duas.
É difícil conter as lágrimas por enquanto. Eu só percebo quando uma ferida fecha quando a memória toca e não arde mais. No momento parece que a ferida é a mesma de antes, como aquela que eu tenho no pé quando volto a dançar. A pelezinha que sai do peito do meu pé direito toda vez que ajoelho depois de um salto. No entanto, eu sempre volto. Com band-aid, esparadrapo, micropore, eu sempre volto a dançar e fazer essa movimentação faz parte.
A pelezinha do coração que sai já saiu antes pelo mesmo motivo. E por mais que arda muito agora, eu não posso e muito menos quero parar de viver. E o mais importante é querer, assim como eu não quero devolver nada agora. Teve uma hora que ir embora de São Carlos parou de doer. E a memória passeia bastante pelo coração desta desterrada sem machucar. Mas foi necessária uma adaptação ao novo ambiente. Não que eu me sinta completa ou completamente feliz, pois a cada dia penso em me colocar numa posição diferente até achar o meu lugar.
E assim será, dessa vez e da próxima. Porque é isso que parece me incomodar mais, meu coração, assim como o peito do meu pé, cicatriza, mas sempre terá esse lugar onde a pele é mais frágil.
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