A universidade está com o cheiro doce e típico dessa época do ano, o de goiabas. Ah, como as goiabas da federal são deliciosas. Tem de todos os tipos, para todos os gostos; seriam uma praga se não deixassem o aroma tão incrivelmente bucólico, o visual dos arbustos cheios de frutos.
Ah, as goiabas da federal, tão lindas.
Como o lobo que deseja a uva, fiquei eu ali a admirar uma destas. Com um leve rajado vermelho de sol em sua tez branca, ela acenava e pedia carinhosamente que eu a pegasse. Fui esquecendo-me ali, observando-a ao arquitetar mil maneiras de alcança-la. Me livrei de preciosidades que trazia no bolso, peças de meu passado recente, meus anéis, meu brio; tudo para saltar mais alto. Não dera certo.
O galho balançou, ela fez menção de cair em meu colo. Prendi a respiração...
E não caiu. Sentei, esperando atentamente mudança qualquer do vento que me ajudasse a catá-la. Nada. O que vi foram muitos bigatos saindo, após o consumo de toda a sua verde suculência. Chorei enojada e fui-me embora ao perceber, finalmente, que toda sua alvidez era a imaturidade de um fruto imprórpio para o meu deleite. E não havia motivo qualquer para melancolia: a goiaba que eu desejara já não existia mais, era dos bigatos. Foi então que pensei no sentido figurado da palavra - "tola!"
É isso, cada pessoa é como um fruto!
Raio de falta de manha de escrever.
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As goiabas da federal
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