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Escolhas e angústias

Acho difícil ter que lidar com decisões. Lidar com decisões, que eufemismo barato, acho difícil mesmo é ter que escolher entre coisas. E isso é porque eu quero ficar com tudo, porque cada uma das faces da probabilidade me deixariam com ganhos e felicidades. Mais ou menos como I want it all, do Freddie.
Na teoria, eu devia tentar entender isso como uma dicotomia. Ando pesquisando esse termo para produzir um trabalho para a pós - tenho lido, mais especificamente, sobre as dicotomias sobre na Grécia Clássica e comparado com as dicotomias na atualidade. Em uma das definições do dicionário Priberam a palavra quer dizer "Modo de divisão de certas hastes em ramos bifurcados". E eu me pego pensando sobre esse significado. Dicotomia parece me dizer que existem duas coisas saindo de uma coisa só. Ou que são uma coisa só... Pensando assim, dá pra dizer que qualquer que seja a escolha ela será acertada, já que saíram de mim e que fizeram sentido pra mim. O problema todo é que eu não estou conseguindo por em prática essa teoria dicotômica. Porque no fim, não desenvolvi essa idéia o suficiente para que eu mesma acredite nela. Complexo? Oh yeah, babe.

A questão é mais embaixo porque qualquer das escolhas implica em perdas. E eu tenho uma certa tendência a escolher o que me é mais seguro - eu, a torcida do Corinthians e a torcida do Flamengo, together, mas ok, seguindo. Ter medo é uma coisa maluca; me pergunto quando que comecei a ter tanto medo das coisas da vida. Ou: quando comecei a reparar nos meus medos a ponto de me paralisar diante de uma escolha?

A sensação é de estar em frente a duas portas. Uma está escancarada, o que me permite ver que há quase a mesma coisa do lado em que me encontro e do outro; e a coisa não é ruim e parece ficar um pouco melhor do outro lado. Mas a outra porta está fechada, com uma chave pendurada. Eu não sei se aquela chave abre a porta; imagino que sim... O pior é que eu também imagino o que há do outro lado, já que não posso ver. E isso causa certa angústia porque ora imagino coisas boas, ora imagino instabilidade.

Porque é a instabilidade que me dá mais medo hoje.

Alicico, mas real. O que me parece uma contradição em si.

Escrever pode ajudar

É muito triste pensar em quantas pessoas queridas a gente perde ao longo da vida por pura estupidez. Pela nossa, alheia ou ainda pela união das duas.

É difícil conter as lágrimas por enquanto. Eu só percebo quando uma ferida fecha quando a memória toca e não arde mais. No momento parece que a ferida é a mesma de antes, como aquela que eu tenho no pé quando volto a dançar. A pelezinha que sai do peito do meu pé direito toda vez que ajoelho depois de um salto. No entanto, eu sempre volto. Com band-aid, esparadrapo, micropore, eu sempre volto a dançar e fazer essa movimentação faz parte.

A pelezinha do coração que sai já saiu antes pelo mesmo motivo. E por mais que arda muito agora, eu não posso e muito menos quero parar de viver. E o mais importante é querer, assim como eu não quero devolver nada agora. Teve uma hora que ir embora de São Carlos parou de doer. E a memória passeia bastante pelo coração desta desterrada sem machucar. Mas foi necessária uma adaptação ao novo ambiente. Não que eu me sinta completa ou completamente feliz, pois a cada dia penso em me colocar numa posição diferente até achar o meu lugar.

E assim será, dessa vez e da próxima. Porque é isso que parece me incomodar mais, meu coração, assim como o peito do meu pé, cicatriza, mas sempre terá esse lugar onde a pele é mais frágil.

história sem fim

Não sei porque me sinto tão frágil diante de certas situações. Como se ainda tivesse 15 anos e não 22, enfrento - ou melhor, fujo de - tudo como se um monstro fosse me atacar a qualquer segundo.

Eu penso por horas porque não escrevo quase nada sobre o ballet. Trauma mode on. Ficava pensando por horas porque não mantive certas amizades. Daí eu lembro que nunca as tive de fato e que foi melhor assim. O duro é ter que apagar uma parte da minha vida por uma fragilidade muito minha e muito intensa.

Se eu tive três ou quatro amigas dentro daquele covio, foi muito. Mas estas valeram mesmo, são pra vida.

Acho uma pena que as pessoas continuem se defendendo de suas fragilidades por meio de ataques gratuitos à quem julgam mais fracos. Ou melhores, por pura inveja. No fim, fomos todas iguais em nossa competição estúpida e velada.

A diferença está agora, nosso modo de crescer e aparecer.


*Obrigada beauties, pelos parabéns e por existirem.

Acridotheres tristis

Tem tanta coisa acontecendo que pra escrever dá preguiça.
Escrever no geral, o que inclui minha monografia.

Mas desistir não é a saída.

Dá uma tristezinha de vez em quando, de ver o que se deixou pra trás. O louco é quando eu sei que não havia outra opção. E eu super queria estar falando de relacionamentos com mocinhos. Reclamar não é uma opção; quantas vezes deixaram coisas pra tras por minha causa sem dizer um "a"? Isso deve significar amor. Isso deve significar crescer...

A vida prega cada peça... Acho que é pra geral parar de viver na Bolha Malhação.

Metrô - parte II

[...] Um pouco antes da estação final levantei-me e peguei minhas coisas. Não apenas peguei-as; fiz certo malabarismo para (a) apanhar a mochila, (b) passar uma das alças pelo braço, (c) pegar a bolsa pelo mesmo lado, (d) passar a alça da mochila pelo outro braço e (e) trocar a bolsa de lado - detesto carregá-la sobre o ombro esquerdo. Sempre atribuí essa frescura à escoliose, que causou um leve rebaixamento em meu ombro direito. Um riso escandaloso no trem vazio quebrou minha sequência de pensamentos sobre bolsas, mochilas e escolioses. Voltei-me a mulher gorda listrada de preto e branco, que agora cochichava ao marido tão discretamente quanto ria: "você viu aquilo?". O sangue subiu à cabeça. Odiei a mulher, encarando-a. Qual era o seu problema, eu era engraçada? Era divertido ver-me lidar com bolsas pesadas, em movimento? É, provavelmente era sim e isso oxigenou meu rancor. Voltou a rir e eu a encará-la. Enquanto pude observar, não dirigiu-me o olhar por um só segundo, embora eu estivesse louca para que isso acontecesse.

Desci do metrô odiando todas aquelas pessoas, formigas que surgiam do nada. Odiei voltar pra casa naquela situação [falta de dinheiro], odiei a roleta que me separava do passo adiante e pensei em dar meia volta, ir embora de novo. Percebi naquele momento o quanto queria ficar sozinha, sem memórias, sem ter que visitar ninguém, no passado ou no futuro.

A roda reluzente do ônibus me pareceu lânguida e triste, como se emanasse um brilho que não era seu. Ainda assim, suportava o peso devido, nascera para essa função, mesmo sem tê-la escolhido. Entrei e me sentia enjoada e enojada de mim mesma, de certa forma. Não nutria sentimentos ruins, até bem pouco tempo atrás, quando me descobri humana e passível de erros; a todo o momento faço coisas que não creio certas. Acho que congelei muito, por tempo considerável, o que sentia; mas aflorou por esses dias, enfim. Parecia cansada e com dor. Fragilidade mesmo, pura frescura. Dormi, pura preguiça.


[A parte I não foi publicada. Ficará apenas em minha agenda]

Largar

Vai doer.
Vai doer a dor da perda. Foda-se. Já não há mais preocupação mesmo... Às vezes parece nunca ter existido.

Alguém disse...

  • "Ao tomar emprestadas as palavras, seja possível emprestar também a força delas, porque na poesia podem ser sempre encontradas razões, inspirações e coragem para continuar." Ana Lucia
  • "Esse é que é o problema todo. Não se pode achar nunca um lugar quieto e gostoso, porque não existe nenhum. A gente pode achar que existe, mas, quando se chega lá e está completamente distraído, alguém entra escondido e escreve 'Foda-se' bem na cara da gente." Salinger
  • "Eu acho que se todas as pessoas fizessem alguma coisa pelos seus próprios pedaços, de repente a gente teria uma grande revolução." Elis
  • "Há que sentar-se na beira do poço da sombra e pescar luz caída com paciência." Neruda
  • "Mesmo nossa própria dor não é tão pesada como a dor co-sentida com o outro, pelo outro, no lugar do outro, multiplicada pela imaginação, prolongada em centenas de ecos" Kundera
  • "Time is never time at all, you can never ever leave without leaving a piece of youth." Pumpkins
  • -"Porque você está vestindo esta fantasia idiota de coelho?" -"Porque você está vestindo esta fantasia idiota de humano?" Kelly