Foi então que percebi a minha não-paralisia diante das coisas. Fazia, agia, ligava. Depois de tanto tempo desligada, desconectada da vida e dos amigos me senti, finalmente, correspondendo às minhas intenções, num movimento parecido com aquele que o Kelly demonstra em Donnie Darko. Eu via o que queria e seguia o meu desejo.
Escrever pode ajudar #2
Escolhas e angústias
Acho difícil ter que lidar com decisões. Lidar com decisões, que eufemismo barato, acho difícil mesmo é ter que escolher entre coisas. E isso é porque eu quero ficar com tudo, porque cada uma das faces da probabilidade me deixariam com ganhos e felicidades. Mais ou menos como I want it all, do Freddie.
Na teoria, eu devia tentar entender isso como uma dicotomia. Ando pesquisando esse termo para produzir um trabalho para a pós - tenho lido, mais especificamente, sobre as dicotomias sobre na Grécia Clássica e comparado com as dicotomias na atualidade. Em uma das definições do dicionário Priberam a palavra quer dizer "Modo
de divisão de certas hastes em ramos bifurcados". E eu me pego pensando sobre esse significado. Dicotomia parece me dizer que existem duas coisas saindo de uma coisa só. Ou que são uma coisa só... Pensando assim, dá pra dizer que qualquer que seja a escolha ela será acertada, já que saíram de mim e que fizeram sentido pra mim. O problema todo é que eu não estou conseguindo por em prática essa teoria dicotômica. Porque no fim, não desenvolvi essa idéia o suficiente para que eu mesma acredite nela. Complexo? Oh yeah, babe.
A questão é mais embaixo porque qualquer das escolhas implica em perdas. E eu tenho uma certa tendência a escolher o que me é mais seguro - eu, a torcida do Corinthians e a torcida do Flamengo, together, mas ok, seguindo. Ter medo é uma coisa maluca; me pergunto quando que comecei a ter tanto medo das coisas da vida. Ou: quando comecei a reparar nos meus medos a ponto de me paralisar diante de uma escolha?
A sensação é de estar em frente a duas portas. Uma está escancarada, o que me permite ver que há quase a mesma coisa do lado em que me encontro e do outro; e a coisa não é ruim e parece ficar um pouco melhor do outro lado. Mas a outra porta está fechada, com uma chave pendurada. Eu não sei se aquela chave abre a porta; imagino que sim... O pior é que eu também imagino o que há do outro lado, já que não posso ver. E isso causa certa angústia porque ora imagino coisas boas, ora imagino instabilidade.
Porque é a instabilidade que me dá mais medo hoje.
Alicico, mas real. O que me parece uma contradição em si.
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20-09
De acordo com os últimos posts, ando mais deprimida do que o normal. Mais depressão, mais tristeza pelas coisas que me escapam do que a simples reflexão que elas deveriam evocar.
De volta a vida psíquica de São Carlos, sozinha nessa casa meio suja, com o banheiro nojento e algumas baratas mortas na área. Fui ao mercado, comprei iscas pra acabar com a praga, desinfetante pra tirar a sujeira e alvejante, sei lá porque (sem acento diferencial??). Acho que minha mãe me ensinou que era bom pra limpeza mais pesada.
Após os rainy days of Santos-city e a minha falta de paciência com o computador de casa, aqui estou. Ouvindo Friends will be friends. Gracinhas, parceiros, no mínimo, esses meus.
Acho que o lance é sair pra comprar uns produtos de limpeza de vida, acabar com as pragas, sem esquecer dos conselhos recebidos em outro tempo.
Here I am, 2009; o ano dos 22.