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Escrever pode ajudar

É muito triste pensar em quantas pessoas queridas a gente perde ao longo da vida por pura estupidez. Pela nossa, alheia ou ainda pela união das duas.

É difícil conter as lágrimas por enquanto. Eu só percebo quando uma ferida fecha quando a memória toca e não arde mais. No momento parece que a ferida é a mesma de antes, como aquela que eu tenho no pé quando volto a dançar. A pelezinha que sai do peito do meu pé direito toda vez que ajoelho depois de um salto. No entanto, eu sempre volto. Com band-aid, esparadrapo, micropore, eu sempre volto a dançar e fazer essa movimentação faz parte.

A pelezinha do coração que sai já saiu antes pelo mesmo motivo. E por mais que arda muito agora, eu não posso e muito menos quero parar de viver. E o mais importante é querer, assim como eu não quero devolver nada agora. Teve uma hora que ir embora de São Carlos parou de doer. E a memória passeia bastante pelo coração desta desterrada sem machucar. Mas foi necessária uma adaptação ao novo ambiente. Não que eu me sinta completa ou completamente feliz, pois a cada dia penso em me colocar numa posição diferente até achar o meu lugar.

E assim será, dessa vez e da próxima. Porque é isso que parece me incomodar mais, meu coração, assim como o peito do meu pé, cicatriza, mas sempre terá esse lugar onde a pele é mais frágil.

Inquietações

Escrevi esperando o ônibus pra voltar pra Sampa, na segunda-feira de calor que foi dia 10.


Cada vez que penso numa zona de conforto, me aflijo. Até concordo com essa coisa Piagetiana do conflito, da assimilação e da acomodação. Parece-me que é isso mesmo que move a gente, o incômodo, e é certo que outros  (Freud, Vygotsky, Klein) já falaram sobre esse assunto. O que me "incomoda" é como lidamos com essa situação na atualidade, tendo em vista que o mundo (a sociedade, as pessoas, everybody), nos bombardeia com a idéia de cura rápida. Uma coisa meio fast-food mesmo. Não parece ser permitido o tempo do sofrimento, da elaboração para a acomodação de novos esquemas. Se dói a gente toma um remedinho. E toma um remedinho porque não pode parar. Como assim, não pode parar? Como se não fossemos sujeitos de nossa própria vida. Talvez, provavelmente, essa desapropriação de si seja resultado de um processo sócio-histórico-econômico. Onde o trabalho toma parte primordial da existência [adendo da transcritora: o produzir parece ter esse papel, mais que o trabalho]. E com 80% da palavra trabalho quero dizer chefe. Em última instância, o chefe é o dinheiro. Ficar doente causa improdutividade do indivíduo e consequente improdutividade da organização. E se a doença física é questionada e deve ser provada, as doenças da ordem da psique são ignoradas, até mesmo quando se tornam físicas. Não há tempo para resolver o incômodo nem para assimilar, tampouco para colocar as coisas no lugar. Não há tempo para respirar antes da nova descarga do corpo.
Acho que a busca pela felicidade hoje é a busca por um "colocar as coisas no lugar" [e aquietar o "espírito"]. Ao mesmo tempo, me parece que a natureza humana busca o ciclo, o aprender continuamente, o frustrar e o recolocar. Procurar a felicidade na estabilidade (e nos livros de auto-ajuda) me parece bastante fugaz. É como descer uma montanha com uma corda de meio metro acreditando que ela vai aumentar por algum milagre. Talvez seja a hora de carar quando a corda acaba, aceitar que acabou, recolhê-la e pensar em como continuar descendo; [o instrumento está dado, a gente só tem que usar...]

E aí eu acho que estou falando de mim e não do mundo, afinal, a nossa referência pra olhar pra fora deve ser mesmo olhar pra dentro. Isso reforça cada vez mais a idéia que tive semana passada, de sair por ai perguntando coisas para as pessoas do mundo... Acredito ter achado a grande pesquisa da minha vida. E tenho cada vez mais certeza de que desejo escrever uma teoria nova, ou pelo menos uma releitura das teorias do mundo, a partir da escuta. A minha parte psicóloga agradece e se entusiasma...

Post-rápido

Eu queria mudar o blog. Faz um tempo, mas agora senti uma necessidade louca.

Pena que eu não tenho tempo de caçar um lay bonitinho, ou de postar com mais frequencia [sem nenhum acento, eca!]. E hoje, preciso terminar a minha mono.

INCRÍVEL como certas coisas não mudam...

Isso é apenas mais um desses posts-rápidos-toscos que eu escrevo de vez em quando [parabéns! Mai buscando a vida fast-food]. Às vezes vem uns textos na minha cabeça, sento em frente ao computador e tenho preguiça de digitar. Na verdade, eu ando com preguiça de pensar que quando sento em frente ao computador tenho N coisas importantes a fazer.

Habilidade de definir prioridades mode off. E faz tempo...

Enfim, é melhor eu começar a querer ser bacharel. Ou terei uma noite altamente surreal hoje (com direito a café, choro e sono)

Nowadays

Devagar, volto a escrever poesia. Rabisquei qualquer coisa melódica na agenda, não foi bom, não surtiu efeito.

O efeito é mesmo inatingível quando a gente o procura. O negócio mesmo é escrever sem propósito. Escrever sem demagogia.

Escrever porque dói pensar, porque colocar no papel é uma forma relativamente simples de exorcisar. Tá, no fim, tem algum propósito.

Acho que vou ver A Era do Gelo. É melhor do que ficar trancada em casa.

Extremoal

Acho que não vou fazer a resenha, reprovar na disciplina e trancar a faculdade.

Solução extrema, desesperada e ignorante.

Com só mais um pouquinho de extravagância eu faria isso. Porra de falta de coragem, eu não presto nem pra me matar.

rs.

Pensamentos soltos

Há uns dias, dois ou três, venho pensando no que postar. Tenho 3 posts na cabeça. Estava voltando pra casa quando pensei: meu, muito ruim postar duas vezes no dia, me sinto muito desocupada.

E aí eu cheguei aqui pra escrever e já estava com outro humor. O "disk-banco" e a minha corrente falta de dinheiro contribuiram completamente pra essa instabilidade. Além disso, o tanto de trabalho que dá a vida hoje em dia.

E aí eu reclamo. E venho jogar paciência. E se mais alguém me disser que a minha auto-crítica é muito grande eu vou pirar. E a resposta é a minha tarefa de casa pra terapia: por que?

rs. Mas eu estou ouvindo Tonight, tonight e daqui a pouco começa a novela. A gente tem que aprender a se contentar com pouco nessa vida. Se não a frustração estoura.

Me explodindo junto.

Acho que vou fazer um blog pra postar a minha idéia de livro. Como a Raquel, personagem principal de A bolsa amarela (livro infantil da minha mesa de cabeceira, que eu finalmente, depois de 10 anos, estou lendo), a minha vontade de escrever cresce, cresce. A gente pode viver tudo em nossos escritos, ser quem quiser. É uma forma de fugir dessa realidade mala que me envolve. À mim e a todos nós.

Acabou a música, hora de me retirar.

Escribir, solamente.

Andei refletindo sobre a questão da inspiração. Será que o ato de escrever está intimamente ligado à estar apaixonado? Enfim, não sei. Perdi a minha inspiração para esse texto. Mas o fato é que, depois de passear por blogs aleatórios de pessoas que eu nunca vi em minha humilde vida, percebi que os melhores textos são os de pessoas apaixonadas. E os textos não são necessariamente românticos.

Talvez, a paixão mova sim essa "máquina de escrever" dos autores. Paixão por alguém, por alguéns, pela vida, pela morte. Ou, pensando mais longinquamente, paixão pelo escrever.

A necessidade latente de cada um de exprimir-se por meio das palavras; essa coisa toda que psicólogos chamam, "reducionistamente", de sublimar. É algo a mais, é retirar de todos os poros de seu corpo algo que lhe tortura por dentro, é retirar de si toda a benignidade e informá-la a todos que existe. Confuso? Sim. É o bem que lhe faz fora e o mal que lhe arde por dentro. Mas parece nunca acabar, como se seu próprio corpo gostasse de sentir aquelas dores horríveis, só pelo prazer de ter o mal retirado de si. Fisiológicamente comparável à dor do parto.

E, às vezes não sai.

E lhe consome a alma, lentamente, como um veneno delicioso. Paraliza seus membros, seu tronco; mas deixa o coração para sentir e a mente para torturar-lhe. De repente você se dá conta de que não pode escrever. E nem falar. Chora, e isso parece arruinar todo o seu plano de produzir qualquer coisa inteligível. Todo o sentimento se reduz a um choro sem sentido algum; o que lhe traz mais raiva... É quando você se recupera e consegue escrever.

Por meio da paixão ao ódio.

Ah, sei lá. Isso são mais abstrações imbecis.

Criar

Criar. O processo criativo é algo que me fascina. Há vezes que tudo à sua volta pisca como neón, chama a sua atenção, lhe trazendo uma loucura tamanha; e você simplesmente dá voz a isso tudo e cria.

Outras vezes, o branco do papel reflete algumas dezenas de vezes. Você escreve uma frase, risca; reescreve, apaga. Rasga a folha, faz dobraduras... E por fim, escreve sobra a sua falta de inspiração. Mas escreve. Como um parto forçado, como um vômito doentio de paavras.

Sei lá. Isso de inspiração às vezes me parece um pouco controverso. Não sei bem dizer o porquê. Talvez porque, muito lentamente, eu esteja me tornando cética quanto à esses sentimentos estranhos que a gente tem. Talvez nada passe de um conjunto de estímulos que você organiza desta ou daquela forma. Acho que estou assoprando pra bem longe todo o "romantismo" do ato de criar.

Enfim, esses dias li um livro do Poetinha, o Para Viver um Grande Amor. A estrutura é simplesmente fantástica, é uma coletânea, muito bem organizada, de poemas e crônicas do autor. Cada linha que leio de Vinícius me tira mais a vontade de escrever; que mestre! Que fantástica magia faz com as palavras! Sei que aqui há uma contradição com o parágrafo anterior. Quem se importa? São as contradições que temperam o mundo. Pelo menos o meu mundinho particular.

Um das crônicas, a primeira, fala justamente sobre "O exercício da crônica"; a pressão dos jornais com seus prazos, os estilos de cada cronista, a dificuldae de escrever sem a maldita inspiração. "Sinto vontade de escrever, o quê, não saberia dizer" (outro trecho do livro). Acho que isso é mais recorrente do que qualquer um pode imaginar. Pelo menos comigo acontece sempre. Não por pressão dos prazos de jornais (até porque o único lugar no qual publico com certa freqüencia é o jornal do meu curso, que é impresso quase que bimestralmente - na verdade, de acordo com a grana que sobra do Centrinho), mas por uma pressão interna que eu mesma não sei explicar. Às vezes parece que se eu não puder escrever uma linha, explodo.

Ah, a deliciosa arte de sublimar.

Falando em linhas, há um certo padrão de escrita que, imagino eu, grandes escritores devam seguir. Não falo de estilo, digo do ato de escrever em si e por si mesmo. Lembro de uma época, não muito distante daqui, na qual eu não conseguia nem ver o cursor piscando em minha frente. Subia-me um pânico terível, e uma cãimbra nos dedos fantástica. O negócio era sentir o papel, sua textura sob o lápis; morder a pontinha da caneta em busca da palavra de perfeito encaixe. Toda uma magia do momento-movimento "escrever"...

Hoje, superei essa frescura. O que me indica que não sou mesmo lá grande coisa.

Chega de escrever, por hora.

Alguém disse...

  • "Ao tomar emprestadas as palavras, seja possível emprestar também a força delas, porque na poesia podem ser sempre encontradas razões, inspirações e coragem para continuar." Ana Lucia
  • "Esse é que é o problema todo. Não se pode achar nunca um lugar quieto e gostoso, porque não existe nenhum. A gente pode achar que existe, mas, quando se chega lá e está completamente distraído, alguém entra escondido e escreve 'Foda-se' bem na cara da gente." Salinger
  • "Eu acho que se todas as pessoas fizessem alguma coisa pelos seus próprios pedaços, de repente a gente teria uma grande revolução." Elis
  • "Há que sentar-se na beira do poço da sombra e pescar luz caída com paciência." Neruda
  • "Mesmo nossa própria dor não é tão pesada como a dor co-sentida com o outro, pelo outro, no lugar do outro, multiplicada pela imaginação, prolongada em centenas de ecos" Kundera
  • "Time is never time at all, you can never ever leave without leaving a piece of youth." Pumpkins
  • -"Porque você está vestindo esta fantasia idiota de coelho?" -"Porque você está vestindo esta fantasia idiota de humano?" Kelly