Andei refletindo sobre a questão da inspiração. Será que o ato de escrever está intimamente ligado à estar apaixonado? Enfim, não sei. Perdi a minha inspiração para esse texto. Mas o fato é que, depois de passear por blogs aleatórios de pessoas que eu nunca vi em minha humilde vida, percebi que os melhores textos são os de pessoas apaixonadas. E os textos não são necessariamente românticos.
Talvez, a paixão mova sim essa "máquina de escrever" dos autores. Paixão por alguém, por alguéns, pela vida, pela morte. Ou, pensando mais longinquamente, paixão pelo escrever.
A necessidade latente de cada um de exprimir-se por meio das palavras; essa coisa toda que psicólogos chamam, "reducionistamente", de sublimar. É algo a mais, é retirar de todos os poros de seu corpo algo que lhe tortura por dentro, é retirar de si toda a benignidade e informá-la a todos que existe. Confuso? Sim. É o bem que lhe faz fora e o mal que lhe arde por dentro. Mas parece nunca acabar, como se seu próprio corpo gostasse de sentir aquelas dores horríveis, só pelo prazer de ter o mal retirado de si. Fisiológicamente comparável à dor do parto.
E, às vezes não sai.
E lhe consome a alma, lentamente, como um veneno delicioso. Paraliza seus membros, seu tronco; mas deixa o coração para sentir e a mente para torturar-lhe. De repente você se dá conta de que não pode escrever. E nem falar. Chora, e isso parece arruinar todo o seu plano de produzir qualquer coisa inteligível. Todo o sentimento se reduz a um choro sem sentido algum; o que lhe traz mais raiva... É quando você se recupera e consegue escrever.
Por meio da paixão ao ódio.
Ah, sei lá. Isso são mais abstrações imbecis.
Escribir, solamente.
por
mainina
quarta-feira, janeiro 23, 2008
Marcadores: escrever
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