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Escrever pode ajudar #2

Foi então que percebi a minha não-paralisia diante das coisas. Fazia, agia, ligava. Depois de tanto tempo desligada, desconectada da vida e dos amigos me senti, finalmente, correspondendo às minhas intenções, num movimento parecido com aquele que o Kelly demonstra em Donnie Darko. Eu via o que queria e seguia o meu desejo.


E isso me pareceu muito bom.

Mas dosar as coisas da vida jamais será fácil. Não sei se é realmente isso que eu quero, dosar-me e, pensando melhor, acho que é a falta de dose, a familiaridade com a sequencia de parábolas da vida, que me faz ser não só intensa como também eu mesma. O negócio é saber lidar com os picos... E sem bipolaridade aqui. Bom, talvez uma ciclotimia, rs.

A questão veio quando observei que estou me tornando ansiosa por uma coisa completamente abstrata. Porque é assim que funciona a minha ansiedade, no plano das idéias e da imaginação. De repente eu estava ouvindo uma música e imaginando como ia acontecer. Como íamos nos encontrar, onde, como seria o toque, a conversa. E cada vez que penso nessas coisas me sinto adolescente de novo, apesar de todo o meu esforço para crescer. 

Será que quando a gente fica apaixonado tem essa recaída de idade? Não que eu esteja apaixonada de novo, não é isso. Mas, na minha imaginação, eu bem que poderia estar o que também me causa ansiedade. O ideal seria resolver isso logo, sair do mundo das ideias, da minha cabeça, e na realidade, se dependesse só de mim já estaria feito. Mas é interessante e importante observar o tempo das pessoas.

Ainda bem que estou nesse período de "busca ativa" pela vida. Espero não perturbar ninguém pelo caminho. Afinal, se tem alguém que entende de stalkers sou eu, rs.


[Fold your hands child you walk like a peasant]

tentativas

Passei umas 5 horas do meu dia tentando escrever poesia. 3 poesias diferentes e nenhuma saiu.Vou pegar o versinho menos pior e jogar aqui,
só pra me lembrar, posteriormente,
do dia que tentava de livrar
de coisas da minha mente
tarefa infeliz

Tem dias que a gente sabe que tem alguma coisa pra botar pra fora
mas a coisa teima em não sair
Fica truncada, trancada por hora
sem nem sequer se dividir


Vish, situação. Segue o que eu andei rascunhando, tudo rima pobre. Meu, nem minha poesia anda rica.



Não sei viver a tristeza
Tampouco a melancolia
quando me arraiga a beleza
ao fim deste longo dia

Não sei o que sinto à noite
Que toca minha'alma vazia
Parece o destino, uma foice,
No rosto uma lâmina fria

Não sei se é o sentido que falta
Que descobre o rosto na estrada
Ou o silêncio que teima e que volta

Deixando-me plena na madrugada
Pensando em [pã!]

Inquietações

Escrevi esperando o ônibus pra voltar pra Sampa, na segunda-feira de calor que foi dia 10.


Cada vez que penso numa zona de conforto, me aflijo. Até concordo com essa coisa Piagetiana do conflito, da assimilação e da acomodação. Parece-me que é isso mesmo que move a gente, o incômodo, e é certo que outros  (Freud, Vygotsky, Klein) já falaram sobre esse assunto. O que me "incomoda" é como lidamos com essa situação na atualidade, tendo em vista que o mundo (a sociedade, as pessoas, everybody), nos bombardeia com a idéia de cura rápida. Uma coisa meio fast-food mesmo. Não parece ser permitido o tempo do sofrimento, da elaboração para a acomodação de novos esquemas. Se dói a gente toma um remedinho. E toma um remedinho porque não pode parar. Como assim, não pode parar? Como se não fossemos sujeitos de nossa própria vida. Talvez, provavelmente, essa desapropriação de si seja resultado de um processo sócio-histórico-econômico. Onde o trabalho toma parte primordial da existência [adendo da transcritora: o produzir parece ter esse papel, mais que o trabalho]. E com 80% da palavra trabalho quero dizer chefe. Em última instância, o chefe é o dinheiro. Ficar doente causa improdutividade do indivíduo e consequente improdutividade da organização. E se a doença física é questionada e deve ser provada, as doenças da ordem da psique são ignoradas, até mesmo quando se tornam físicas. Não há tempo para resolver o incômodo nem para assimilar, tampouco para colocar as coisas no lugar. Não há tempo para respirar antes da nova descarga do corpo.
Acho que a busca pela felicidade hoje é a busca por um "colocar as coisas no lugar" [e aquietar o "espírito"]. Ao mesmo tempo, me parece que a natureza humana busca o ciclo, o aprender continuamente, o frustrar e o recolocar. Procurar a felicidade na estabilidade (e nos livros de auto-ajuda) me parece bastante fugaz. É como descer uma montanha com uma corda de meio metro acreditando que ela vai aumentar por algum milagre. Talvez seja a hora de carar quando a corda acaba, aceitar que acabou, recolhê-la e pensar em como continuar descendo; [o instrumento está dado, a gente só tem que usar...]

E aí eu acho que estou falando de mim e não do mundo, afinal, a nossa referência pra olhar pra fora deve ser mesmo olhar pra dentro. Isso reforça cada vez mais a idéia que tive semana passada, de sair por ai perguntando coisas para as pessoas do mundo... Acredito ter achado a grande pesquisa da minha vida. E tenho cada vez mais certeza de que desejo escrever uma teoria nova, ou pelo menos uma releitura das teorias do mundo, a partir da escuta. A minha parte psicóloga agradece e se entusiasma...

Post 2 do dia

Completamente contra meus princípios de não publicar mais de uma vez no dia. Mas... queria registrar uma coisa aqui. E agora, no calor da emoção. Hahahaha.

Eu sempre me achei muito aleatória, basta ver a quantidade de textos publicados com esse label. Faz um tempo venho pensando nisso e me sinto cada vez menos aleatória. Isso porque eu estou vendo sentido nas minhas atitudes, nos meus sentimentos... E não tem nada, absolutamente nada aleatório nesse momento. Eu posso ser até surpreendente, fazer coisas fora dos padrões aceitáveis de normalidade (e de normatização!), mas sou bastante lógica. Ou pelo menos estou me sentindo assim.

Abri o label "aleatórios" do meu blog e, o primeiro texto que apareceu foi uma gracinha de poema. Tá, gracinha não, meio triste, enfim, qualquer coisa menos aleatório! Um outro falando, ainda que bem obscuramente, da dúvida sobre investir sentimentos em alguém que eu já conhecia; parte da minha história! Fiquei um pouco irritada com essa minha rigidez em achar que tudo é aleatório, especialmente o meu ser.

Acho que isso aparece quando a gente não sabe dizer o que sente direito e diz qualquer coisa. Aleatório. Essa folha eu não quero mais.

Bachiana Brasileira nº 5

São dez horas e trinta minutos. Eu me sinto triste por ouvir Villa, eu me sinto intensa por dissertar sobre trabalho cooperativo, eu me sinto estranha pelo incenso de novo odor aceso no quarto.
Eu me sinto pressionada pelas coisas a fazer, e me sinto louca por sentir ter que escrever. Eu sinto falta das coisas lindas, eu sinto falta do violino vibrando sobre mim, a música nas entranhas.
Eu sinto a luz do palco me fazer viva e me sinto bem interpretando alguém que nunca fala; o corpo sempre diz. Eu sinto um desejo insano de abandonar tudo e sinto o Noturno me fazer ficar.
Sinto vontade de fazer bem as pessoas; às vezes eu sinto raiva e sinto muito por isso.

Tudo o que faço é sentir. E sentir também é sentir saudade.

Alguém disse...

  • "Ao tomar emprestadas as palavras, seja possível emprestar também a força delas, porque na poesia podem ser sempre encontradas razões, inspirações e coragem para continuar." Ana Lucia
  • "Esse é que é o problema todo. Não se pode achar nunca um lugar quieto e gostoso, porque não existe nenhum. A gente pode achar que existe, mas, quando se chega lá e está completamente distraído, alguém entra escondido e escreve 'Foda-se' bem na cara da gente." Salinger
  • "Eu acho que se todas as pessoas fizessem alguma coisa pelos seus próprios pedaços, de repente a gente teria uma grande revolução." Elis
  • "Há que sentar-se na beira do poço da sombra e pescar luz caída com paciência." Neruda
  • "Mesmo nossa própria dor não é tão pesada como a dor co-sentida com o outro, pelo outro, no lugar do outro, multiplicada pela imaginação, prolongada em centenas de ecos" Kundera
  • "Time is never time at all, you can never ever leave without leaving a piece of youth." Pumpkins
  • -"Porque você está vestindo esta fantasia idiota de coelho?" -"Porque você está vestindo esta fantasia idiota de humano?" Kelly