Mostrando postagens com marcador fim. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fim. Mostrar todas as postagens

finais felizes

De tudo o que foi
e sobre tudo o que sobra
Digo que hoje só tenho a memória
Sem lágrimas,
Deixo desnutrir o assossego
Sem chama,
Deixo o descanso ser meio.

De um, momentos felizes
- o que a lembrança coa -
De outro, a ferida fechada
- que esquece a vontade dentro de si


Só não tenho vergonha de escrever isso porque ninguém lê e porque não consegui fazer melhor. Meu, é a vida. Devo estar precisando ficar triste.

Sentido poético

Faz alguns dias eu venho pensando em poesia. Como se algumas frases ficassem cutucando a minha cabeça em busca da fuga do abrigo.

Aí eu disse: 

Ei poesia, 
Eu não consigo colocar você pra fora
Fique aí dentro por ora.

Eu queria dizer coisas cheias de significados, coisas bonitas, coisas tristes. Por fim, eu 

Queria tocar a alma do amigo,
Libertar minha poesia do abrigo
Deixar de carregar a emoção
Encontrar no verbo a vazão

Mas esteve difícil essa semana. Esteve difícil me juntar novamente, me entender, 

Me levar a encontrar o meu ser 
Lembrar de mim sem que nem porquê.

"Do riso fez-se o pranto", lembrei por dias e percebi que o que eu estava querendo era escrever para o outro. Para a amiga querida, para o amigo perdido. Menos pra mim. 

Esqueci do sentido que eu sinto querer,
Do que me é natural escrever...
Vitima da minha angústia sufocante
 - outro lado da moeda da culpa,
Como se só ela fosse importante

Um versinho e outro aqui e ali. E, na saúde, na doença, minha semana teve todo o meu sentido poético.


Sobre o que toca enquanto tento me esquecer

A música preenchia meu espírito e arrancava minhas lágrimas violentamente, como se representasse algo que eu poderia ter vivido e não vivi. Sua grandeza melodiosa me enlevava e incomodava, sentimento ambíguo muito comum na situação que eu vivia. Quando a gente perde não sabe se está vazio do outro ou cheio de tristezas próprias. Prefiro o que seja meu. E se o fim é triste, que seja intenso como foi o início.


Sigo ouvindo meu adágio cheio de chorosos violinos esperando os pratos e tambores vívidos da coda.



Ao ouvir o Adágio da Rosa, from Sleeping Beauty

Alguém disse...

  • "Ao tomar emprestadas as palavras, seja possível emprestar também a força delas, porque na poesia podem ser sempre encontradas razões, inspirações e coragem para continuar." Ana Lucia
  • "Esse é que é o problema todo. Não se pode achar nunca um lugar quieto e gostoso, porque não existe nenhum. A gente pode achar que existe, mas, quando se chega lá e está completamente distraído, alguém entra escondido e escreve 'Foda-se' bem na cara da gente." Salinger
  • "Eu acho que se todas as pessoas fizessem alguma coisa pelos seus próprios pedaços, de repente a gente teria uma grande revolução." Elis
  • "Há que sentar-se na beira do poço da sombra e pescar luz caída com paciência." Neruda
  • "Mesmo nossa própria dor não é tão pesada como a dor co-sentida com o outro, pelo outro, no lugar do outro, multiplicada pela imaginação, prolongada em centenas de ecos" Kundera
  • "Time is never time at all, you can never ever leave without leaving a piece of youth." Pumpkins
  • -"Porque você está vestindo esta fantasia idiota de coelho?" -"Porque você está vestindo esta fantasia idiota de humano?" Kelly