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As mentiras que as crianças contam

Sempre fui uma criança esquisita. Considero que tinha uma boa imaginação só para não pensar que eu era uma mentirosa.
As histórias eram boas e só começaram a ser reconhecidas por volta da quinta série, com a professora de Redação elogiando. Nesses tempos eu achava que ia ser escritora. A vida é engraçada mesmo, hoje o máximo que escrevo são textos perdidos nos blogs da vida vez em quando. O fato é que antes da Glauce, a minha capacidade era canalizada para o vocal, quase nada de papéis. Isso sempre foi muio mal interpretado e, por mais estranho (ou burro) que pareça, eu só não mentia para os meus pais. Não faço a menor idéia se por medo ou qualquer outra razão. Meus pais sabiam do meu histórico criativo e nunca acreditavam no que eu falava para eles - a verdade. Talvez, conhecendo a minha cabeça doente, eu falasse a verdade simplesmente para ter razão. Mas ainda acho isso bem burro. Já que mente pra todo mundo, porque não omitir que "apertou, mas não bateu" na irmãzinha, ou dizer que "não bateu e ela é louca"? (essa última não seria totalmente mentira...)
É a tal da história do menino e o lobo. E olha que eu ouvi essa história, hein?

Mas não vou dizer que nunca me salvei por mentir. Lembro de uma vez, a professora passou uma lição sobre contos de antes de dormir. Não sei o nome que ela deu para isso, mas não era "conto de fadas"; eu não tinha idéia do que era, nem minha mãe, nem ninguém. Foi angustiante. Escrevi a história indo para a escola, no carro, totalmente fantasiosa, e quando cheguei lá a professora pediu para que lessemos. Meus amigos foram contando e eu morrendo, querendo me enfiar na cadeira. Apareceram milhões de histórias que eu conhecia. Me senti muito burra. Quando eu contei a minha, só eu sabia. Literalmente. A professora fez uma cara estranha, meus amigos também, ninguém entendeu nada. Eu disse que era uma história passada de mãe para filha, há anos. Só eu tinha que saber mesmo.

Ai, senhor.

O que me consola é que eu deixei essa criatividade toda an infância. Conto no máximo uma ou outra mentirinha social; nada demais ou muito grave. E é de vez em quando. Às vezes perco excelentes oportunidades de contar uma. Ou de ficar quieta, no mínimo.

Bom, não foi o que eu escrevi há dois posts...

Minha primeira aula de violino e o roquinho

Seguindo o mesmo procedimento feito após minhas primeiras aulas de sapateado, devo registrar aqui, de alguma forma, a sensação de fazer uma aula de violino.

Isso foi mágico. Sentir em você a vibração de um corpo que não é o seu, enquanto a música ecoa por toda a sala... É indescrítivel. O arco deslizava sobre as cordas e eu me sentia cada vez mais feliz, boca aberta num soriso bobo de criança; a mesma criança que não pode descobrir tal alegria antes. Toquei um roquinho. Um roquinho bonitinho, 4 por 4, pausas de quatro tempos, duas repetições; acompanhamento de orquestra e tudo.

Bom, a vizinha não deve ter ficado muito feliz. Ah, pelo menos nenhum vidro se quebrou.

=)

Alguém disse...

  • "Ao tomar emprestadas as palavras, seja possível emprestar também a força delas, porque na poesia podem ser sempre encontradas razões, inspirações e coragem para continuar." Ana Lucia
  • "Esse é que é o problema todo. Não se pode achar nunca um lugar quieto e gostoso, porque não existe nenhum. A gente pode achar que existe, mas, quando se chega lá e está completamente distraído, alguém entra escondido e escreve 'Foda-se' bem na cara da gente." Salinger
  • "Eu acho que se todas as pessoas fizessem alguma coisa pelos seus próprios pedaços, de repente a gente teria uma grande revolução." Elis
  • "Há que sentar-se na beira do poço da sombra e pescar luz caída com paciência." Neruda
  • "Mesmo nossa própria dor não é tão pesada como a dor co-sentida com o outro, pelo outro, no lugar do outro, multiplicada pela imaginação, prolongada em centenas de ecos" Kundera
  • "Time is never time at all, you can never ever leave without leaving a piece of youth." Pumpkins
  • -"Porque você está vestindo esta fantasia idiota de coelho?" -"Porque você está vestindo esta fantasia idiota de humano?" Kelly