... é verdadeira. Aconteceu com uma amiga de uma amiga minha.
Carla era uma menina feia e ele não ligava. Não que a amasse de verdade... Era o máximo que conseguira arrumar, após anos procurando pela mulher perfeita. Pensava que estes anos não valeram de nada; algumas imperfeitas se perderam pelo caminho - eram mais bonitas ou inteligentes que Carla.
Queria uma mulher para os outros. Alguém que os colegas invejassem, desejassem, adorassem - e que fosse apenas dele. Passara muito tempo sendo chamado de incoveniente, chato, insuportável e outros adjetivos menos apropriados para ficar com qualquer uma. Queria uma mulher para recordar.
Certa vez encontrou moça interessante, inteligente, brilhante. Era uma excelente parceira para todas as horas, tornou-se sua melhor amiga; paciente, ouvia-lha com uma atenção que ninguém lhe dispunha... Apaixonou-se por ela, e ela não por ele. A coisa toda é que ele era um cara bacana, mas não era seu irmão.
Fez de um tudo. Enlouqueceu, descabelou-se, futricou, contou mentiras. Nada adiantou. Ela era do irmão e os dois combinavam como bom queijo com bom vinho, numa mistura refinada de dar dó. Emburreceu-se e voltou à sua procura, enquanto o irmão levava, mais uma vez, os louros e a loira da vitória. Ela era apenas uma mulher para recordar.
E assim, fez história com a pobre Carla.
Ela acreditava que seu principe viria em um cavalo branco salvar-lhe dos homens terríveis que lhe apareceram na vida. Eram todos uns cachorros. E lindos. Já não procurava mais beleza nas flores, só queria alguém sem espinhos e isso tudo era compreensível; vivera com seu pai apenas, um homem indelicado e de hábitos grotescos.
A coisa toda é que Carla é tão sem graça que não quero discorrer sobre ela. Mas a mulher encontrou no homem a delicadeza de dama que esperava.
E nessa imperfeição e incorreção fizeram-se amantes. Completaram-se, e por menos que pareça um conto de fadas, vivem felizes até hoje. Ora, isso é verdade, aconteceu com uma amiga de uma amiga minha.
Essa é a história de Carla...
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Pequeno
Eu gosto do meu lugar e dele sinto falta.
O meu canto é quietinho, só pode ser preenchido por um eu vazio,
um eu que a cada dia perde seu ninho...
O que eu queria mesmo era ser um bichinho
pra me engrenhar no meio das conversas e me beirar no céu quando quisesse ficar sozinho.
inhoninhoininhoinho.