Gosto do Pessoa tem anos. Hoje me peguei lendo um texto no Diário de uma paulistana enquanto pensava se aquilo que estava escrito era de alguma forma um relato de sua própria vida. Fosse ela a Estela, o Fábio ou alguém próximo a um dos dois. E foi então que li o comentário de um carinha: "só dá pra falar do que sentimos na tentativa de compreender o que sentimos".
Acho que venho passando por uma fase de observação do eu muito intensa; lamento um pouco. Gosto de escrever sobre a vida fora da minha pele, sobre as pessoas à minha volta ou ainda sobre pessoas que nem conheço. E toda a minha produção "literária" dos últimos tempos tem tido o narrador em primeira pessoa. É uma fase que está totalmente atrelada ao meu momento da análise e, por fim, ao momento da minha vida.
Outro dia pensei coisas do tipo. Acho que a psicanálise pode deixar a gente muito individualista; preciso refletir um pouco mais a esse respeito, mas acredito que seja assim. Essa coisa do self vir primeiro de tudo. Entendo que muitas pessoas que lessem isso iam achar esse meu questionamento um absurdo, porque tem gente que acha mesmo que pra gente ser saudável o eu precisa vir primeiro. Certo, até dá pra concordar, mas minha dúvida vai pr'alem do eu. É possível, no mundo em que vivemos, que o eu tenha tanta importância assim? No sentido que, se pra minha saúde mental eu preciso pensar mais em mim, pra saúde (não só mental) do mundo é possível que cada um pense primeiro em si?
Afinal, Freud e outros brothers viveram em outra época e, pseudo-Foucaultianamente falando, o solo epistemológico deles era diferente do nosso. Não será necessário buscar novas formas de compreensão e explicação (com a idéia de dar sentido) ao mundo? E, por consequência, a mim mesma?
Pra finalizar, um pedacinho do Fernando, esse cara cheio de selfs. Pra eu pensar quando sair do meu momento The world within the skin (ê Skinner, nunca me livro deocê!)
Autopsicografia |