Às vezes eu me pego pensando... Minha vida algum dia vai mudar?
São Carlos, interior de São Paulo. Quilômetros de distância da cidade natal, alguns anos me separam da adolescência conflituosa que vivi. Eram tantos questionamentos, tanta inquietação. Não em sinto muito diferente daquela época. Não importa o lugar ou o tempo, minha essência parece permanecer intacta. Claro que muita coisa muda... Externamente. Nove andares abaixo passa o meu mais recente ex-relacionamento, no porta retrato ao lado estão os amigos que fiz, sinceros, honestos. A casa que venho construindo com parceiras de vida que eu nunca imaginei ter é o abrigo da noite fresca e chuvosa que enfrentarei dormindo.
Mas os livros na minha estante bagunçada ainda são os mesmos. Persisto na desorganização diária, na preguiça de arrumar cantinho qualquer para os papéis que ditam, de certa forma, o andamento de minha vida curta. Porque é curta, embora às vezes pareça mais distante da minha infância do que realmente é. Continuo me punindo ter sentimentos ruins, por ser humana. Sinto vontade de escrever diálogos que nunca tive, como há alguns anos atrás. Escrevo na parede com o vapor do banho (que tomo sempre na mesma temperatura) aquilo que daqui há um ou dois minutos vou esquecer.
Tenho muita coisa pra fazer nessa terra de gente diferente de mim. Mas logo passará meu tempo aqui... E aí? Não sei. Posso imaginar futuros diversos, mas não consigo prever o verdadeiro. Gostaria de ganhar alguns dinheiros, viajar um pouco mais. Ouvir música boa, ler poesia e livros interessantes. Ver uns belos quadros, comprar alguns pra minha parede que pode ser ou não compartilhada com outro alguém tão ignorante de minha existência quanto eu da sua. Não sei o que me reserva o futuro.
Ainda assim, me pergunto: minha vida algum dia vai mudar? Viver sem dança, sem as coisas e pessoas que mais prezei sem que elas me dessem muito valor. Viver com tudo isso me traria algum grau de felicidade? Qual?
Adquiri alguns vícios, algumas aflições bestas, como só passar colher na margarina, não comer a primeira bolacha do próximo. Mas isso já não existia antes das ditas mudanças que venho sofrendo externamente? Quem sou eu, quais são os meus gostos? É tudo tão fugaz que repentinamente se torna estável.
E a liberdade? Fico imaginando por horas se ela algum dia virá. A técnica liberta. Essa proposição não me parece tão generalizável assim. Meus valores persistem, mas será que a mudança, a extinção e a tolerância a alguns deles não me proveriam uma vida mais tranquila, mais desejável?
Às vezes me sinto uma mulher independente, forte, mas choro pela ausência de meus queridos, pela solidão que venho buscando há algum tempo. Ainda pergunto se é esse mesmo o fim... Chegar ao seu objetivo e ver que não era nada daquilo que parecia ser, estabelecer novos alvos.
Tem muita coisa nessa vida que eu não sei, umas eu vou aprender, outras não, e vai doer a falta. Não é possível saber de tudo, conhecer o mundo que se almeja. Isso eu já aprendi. É. Nem tudo o que se quer, se tem, já dizia minha avó fisicamente morta. E eu nem sei se devo mesmo me conformar com essa situação, é tão interessante ir atrás de coisas novas, daquilo que eu sei que não da pé. Conhecer meus limites, entender e estender um pouquinho da minha cabeça que voa pra muitos lugares que eu não viverei. É como disse alguma Tainá, Nina ou Mirna do Pessoa, eu sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura.
É. Essa vida é cheia de reflexões e considerações a se fazer.
Pós post: E esse não era nenhum dos três posts que estavam na minha cabeça. E eu postei duas vezes no mesmo dia. Ok.
Considerações sobre a vida
por
mainina
sexta-feira, janeiro 09, 2009
Marcadores: conquistas , pensamentos , perda , reflexões , tempo , vida
2 comentários:
Eu poderia ter escrito esse texto.
Fora que... Eu não escreveria tão bem. Mas se fosse meu, chamaria de "Minha angústia". Como é seu, chamo de "Nossa angústia".
Te amo, te entendo.
haaaaaaaa
angústia tem acento? é angustia? ahuahuahu não sei...
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