Gostaria de proclamar-me amante das coisas que nunca tive. Esse anseio todo por algo que jamais será alcançado me faz caminhar cada vez mais em direção à um fim que não compreende qualquer meio.
Não sei porque digo isso. A intensidade de minhas dores inventadas só aumenta, a cada palavra digitada. Por que? Por que há o gostar de se mutilar aos poucos? Quando a brisa lá fora se faz suave e sutil, coerente, lenta?
Sinto-me formigar. Sento em frente à tevê, espero esse ou aquele programa acabar, e aí? E aí nada. É só isso mesmo. Rotina estabelecida. Sanidade perdida.
E é isso que me aguarda mesmo, por mais que eu queira mudar. Porque não quero de verdade.
Apesar de soar depressivo, não é. É apenas a constatação exata do que venho fazendo comigo mesma. Formiga ainda, é verdade, mas não sou mais tão intolerante como antes. Não me preocupo com as palavras, machuco quem tiver que machucar. Quem me machucou antes, como criança que embirra.
Já não amo mais ninguém e isso é triste. Retrato de uma vidinha medíocre: quando a gente acha que todo mundo à nossa volta nos quer mal, as minas vão sendo plantadas. Até que você pisa e elas explodem. E é assim que funciona a falta de (ser) um amante.
A febre cresce dentro de mim e eu me recuso a tomar remédio. Se assim o corpo quer, assim vai ser.
A dor é inspiradora. E acho que, na verdade, tudo gira em torno disso.
Amante ou 38° de febre
por
mainina
terça-feira, janeiro 06, 2009
1 comentários:
Nossa, o título deveria ser: "momento 38º de febre, sozinha em são carlos".
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