Estou transcrevendo a tertúlia* da Eva com as crianças da escola onde fez intervenção. Surge o assunto namoro no grupo e uma das meninas diz que vai começar a namorar com 15 anos. É tão engraçado quando a gente é criança e acha que tem uma data certa pra tudo... Pior é perceber que trazemos "datas certas" pra fase adulta, p. ex., "vou me casar com uns 27 anos e ter filhos por volta dos 30". Ou "vou casar depois da faculdade". Tá, tá bom.
E daí seus amigos começam a casar...
Achei engraçado a idade "avançada", por assim dizer, que a criança lançou ao seu primeiro relacionamento. Lembro de quando eu tinha 12 anos e meia dúzia de amigas que já tinha beijado... Lembro também de toda a mística que envolvia o beijar e encontrar o cara "certo" pra perder o BV.
Ah, o tal do BV.
É tão engraçado pensar nisso agora... Mas a questão é que a regra era beijar mais cedo do que 15 anos. Mas os tais 15 anos remetem a ideia de "apresentação pra sociedade" do Début. Como esses valores loucos ainda estão impregnados na gente...
E é por isso que é tão difícil se livrar da ideia do casamento entre os 20 e 30 anos. Porque hoje vc tem que casar nessa idade e ter filhos depois dos trinta, pra aproveitar a vida matrimonial. E quando algo não sai como o planejado o surto vem a cavalo, como se não fosse possível viver de uma forma diferente. Que digam minhas amigas que tiveram seus fofíssimos babies esses tempos... Pude acompanhar o processo, ainda que de longe. Difícil ter que negar o que o mundo traz como "natural" e lidar com as incertezas que acompanham as negações... E com os processos de crescer.
Pra terminar, lembro quando eu achei que estava na idade de beijar e, surprise, não tinha ninguém que eu achasse especial disponível. Foi duro ter uma vontade e não poder realizá-la. Mas quando eu parei de pirar, vi que as coisas podiam ser diferentes, que eu não precisava ser como todo mundo. E que tinha uma pessoa especial popping-up.
Eu fui a última da turma. E o cara com quem eu fiquei era muito legal, foi massa estar com ele naquela hora. Não durou pra vida inteira como quando eu imaginava lá com 10, mas foi especial o suficiente para eu me lembrar pra sempre e com muito carinho.
Mainina acaba de ter um insight. Se tivesse na análise, aqui seria feito o corte. rs
*Não sei se é o termo certo, mas penso que sim... :)
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