Dois trechos de escritos meus:
"Sobre essa questão do “era [uma vez]”, ouvi nesse semestre ainda, num outro espaço de aprendizagem, que o “presente não existe”. Isso porque o presente é o limite entre o passado e o futuro, é quando o futuro se torna passado, mas eu não consigo medir esse fenômeno que não chega nem, em minha opinião, a ser um instante. Acho que, nesse sentido, o presente é o tempo do era, porque ambos estão em uma dimensão subjetiva, da ordem da imaginação. Em “tá bom que eu era...” eu só era ali; em outro presente, eu era outra coisa, e isso acontece só naquele presente, que pode estar no passado ou no futuro, não é importante. Se “ao ser humano é dada a contingência do tempo e a clareza da morte, desde o momento de seu nascimento”, para mim, o presente é uma dimensão temporal distorcida que ganhamos dentro de nós, assim como o “era”. Não sei se isso faz sentido, mas enxerguei certa correlação." - Parágrafo da resenha do capítulo 1 do livro Acordais, pra professora Regina Machado.
"Tenho muita coisa pra fazer nessa terra de gente diferente de mim [São Carlos, janeiro de 2009]. Mas logo passará meu tempo aqui... E aí? Não sei. Posso imaginar futuros diversos, mas não consigo prever o verdadeiro. Gostaria de ganhar alguns dinheiros, viajar um pouco mais. Ouvir música boa, ler poesia e livros interessantes. Ver uns belos quadros, comprar alguns pra minha parede que pode ser ou não compartilhada com outro alguém tão ignorante de minha existência quanto eu da sua. Não sei o que me reserva o futuro. [...] Adquiri alguns vícios, algumas aflições bestas, como só passar colher na margarina, não comer a primeira bolacha do próximo. Mas isso já não existia antes das ditas mudanças que venho sofrendo externamente? Quem sou eu, quais são os meus gostos? É tudo tão fugaz que repentinamente se torna estável.
E a liberdade? Fico imaginando por horas se ela algum dia virá. A técnica liberta. Essa proposição não me parece tão generalizável assim. Meus valores persistem, mas será que a mudança, a extinção e a tolerância a alguns deles não me proveriam uma vida mais tranquila, mais desejável?
Às vezes me sinto uma mulher independente, forte, mas choro pela ausência de meus queridos, pela solidão que venho buscando há algum tempo. Ainda pergunto se é esse mesmo o fim... Chegar ao seu objetivo e ver que não era nada daquilo que parecia ser, estabelecer novos alvos" - Blog, post antigo
Frankenstein
por
mainina
domingo, setembro 25, 2011
Só isso. Queria pontuar pra Mai do passado: belezinha, mudei de cidade, de ares, de livros. Ganho um pouco mais, mas gasto também. Mais poesia, mais arte, mais músicas boas. Zero quadros comprados e parede só minha.
E os valores? A gente reinventa. Não acredito mais nessa "essência super imutável". Mas a liberdade e o futuro sou eu que construo... e o tempo do "era" está na imaginação. E sobre a imaginação, faço minhas as palavras da Regina Machado “Se não vivemos esse sentimento [de infinitude], é impossível compreender na raiz o que move a arte dos grandes poetas, de todos os artistas que, como muitos já disseram, dão forma ao invisível [...]A arte, qualquer arte verdadeira, permite esse trânsito compreensível pelos significados fundamentais da vida humana”.
O lance é fazer o Frank virar uma pessoa inteira. É preciso separar as partes, reciclar o que for preciso e se reconstruir.
Marcadores: bolsa amarela , conquistas , filosofia de bar , partes
0 comentários:
Postar um comentário