Título em francês, em homenagem à um amigo distante. Seria maldade minha afirmar que o significado também se refere a ele. E de fato não é . Mas, enfim, ao texto. Sem mais milongas.
Sentou-se na cama. Uma, duas, três. As horas esperavam seu corpo repousar, não adiantava. Sentia-se abandonado, triste, nada mais lhe agradava - os livros, as músicas, os jogos, as drogas, os amigos. Era tudo muito distante daquela noite fresca de outono. Fresco era ele. Tentou escrever. Sim, ia escrever uma carta para ela, a menina distante, a adorada. Sentiu vontade de dizer-lhe o quanto era incrível seu modo de se comportar diante da vida desordeira que levavam, queria dizer-lhe o quanto ela era incrível. Lembrou-se dos passeios à beira do lago, das festas, dos fluidos que compartilhavam. Saudade de um tempo não muito distante, jamais poderia voltar ao passado. Era tudo tão ambíguo... Sentiu-se só, sensação inconfundivelmente comum por aqueles dias. Arrancando cascas de feridas, as palavras dela voltaram a sua memória; eram apenas amigos e essa era a graça da relação. Que coisa imbecil. Odiou-a e não quis mais escrever.
Suas palavras eram muito valiosas para serem jogadas ao vento daquela forma tão insípida - cartas... Ela era o vento, inconsistente, fácil de escapar; movimento puro. Não escreveria a mais ninguém. Qubrou o porta retrato, foto em mil, pedaços à janela, cacos ao vaso sanitário. Exorcitaria seus vestígios, expulsaria tudo de si.
Respirou. Ainda sentia a blusa listrada de preto e branco colada a seu corpo, como no dia anterior. O cinto, jogado num canto do quarto, brilhava à luz do abatjour verde. Os livros da última insônia dormiam com os fones de ouvido ao lado da cama. Levantou-se, pegou o maldito cinto e chutou o que ali descansava. Era infeliz, verdade irrefutável. Decidiu fugir.
Procurou algum lugar mais calmo, qualquer hospital barato.
Le pastie de la bourgeoisie
por
mainina
quinta-feira, julho 31, 2008
Marcadores: amor
2 comentários:
Seria interessante terminar
eminho nojento.
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